O ELO QUEBRADO
O Dr. Aris Thorne ajustou seus óculos sobre o nariz, a luz do laboratório refletindo nas lentes. Em sua frente, sob a magnificação máxima do microscópio, estava o Vírus Caronte, uma abominação biológica, uma máquina de replicação e predação em sua forma mais rudimentar. Aris, um dos poucos virologistas ainda trabalhando em uma instalação segura e subterrânea, sentia o peso do mundo em seus ombros.
A infecção começou de forma sutil. Uma leve febre, náusea e cansaço, facilmente confundíveis com uma gripe comum. Após 48 horas, os primeiros sinais comportamentais emergiram, como uma irritabilidade fora do comum e uma compulsão por certos nutrientes. Não era apenas fome, mas uma necessidade instintiva.
O vírus se instalava, alterando processos biológicos. Alimentava-se dos nutrientes do hospedeiro, crescendo dentro do corpo. Comportamentos erráticos em massa começaram a pipocar pelo globo, enquanto os infectados pareciam impulsionados por uma necessidade interna.
A fase final do ciclo de vida do Caronte era alarmante. Quando o parasita atingia sua forma adulta, o hospedeiro sofria transformações internas. O vírus, agora em sua fase reprodutiva, buscava se dispersar para dar continuidade ao seu ciclo.
Aris fechou o laboratório, a mente girando com as implicações. O mundo estava à beira do colapso, não por uma guerra nuclear ou um apocalipse zumbi, mas por uma monstruosidade microscópica que alterava fundamentalmente a biologia humana. A batalha pela sobrevivência havia acabado de começar.
A cidade de Neo-Verídica estava sob toque de recolher, um silêncio opressivo quebrado apenas pelo vento e, ocasionalmente, pelos sons distantes. Miguel, um ex-técnico em biologia marinha de 24 anos, observava as ruas vazias do que restava de seu apartamento. Sua irmã mais nova, Sofia, de 16 anos, estava lá embaixo, presa a uma cadeira na sala, seus olhos, antes cheios de vida e curiosidade, agora opacos e com um brilho febril.
O pesadelo começou há três dias. O pai e mãe de Miguel já haviam sido devorados por outras marionetes humanas, como eram chamados aqueles que haviam sido infectados, e só restava Sofia, com uma tosse seca e uma febre persistente. Em 48 horas, ela alegre e tagarela se transformou em uma sombra silenciosa. Seus pedidos por "comida" eram algo mais primal, perturbador. Ele a trancou, o coração em frangalhos, sabendo que o monstro lá fora havia invadido sua casa. Ele sabia que o tempo estava se esgotando, pois havia lido os relatórios militares vazados: o vírus Caronte atingia a fase final de desenvolvimento em uma semana e se não fosse rápido sua irmã iria morrer.
Miguel vasculhou o banco de dados clandestino da rede, lendo sobre os estágios finais. Mas havia um fio de esperança. Uma lenda sobre a Flor da Meia-Noite (Flores Nox).
Uma rara orquídea negra, que florescia apenas em uma área remota da antiga floresta amazônica, conhecida por suas propriedades regenerativas extremas, talvez a única coisa capaz de reverter o Caronte antes que fosse tarde demais.
Ele preparou seu equipamento: uma mochila surrada, um facão, uma arma de choque para defesa, um kit de primeiros socorros e, o mais crucial, uma injeção de um potente sedativo para Sofia, caso precisasse. Ele olhou para a foto de sua irmã, na qual ela sorria no dia de sua formatura, lembrando-se do futuro que a misteriosa doença havia roubado dela. Ele a olhou (o mais próximo que podia chegar sem se colocar em risco) e prometeu que voltaria.
Ao sair de casa deu de cara com militares fazendo o toque de recolher, viu uma tampa de esgoto aberta e entrou, foi se rastejando o mais calmo possível para no chamar atenção, enquanto se rastejava, ouviu nos autos falantes da cidade militares dizendo que em 3 dia iriam bombardear a cidade era para evacuar a cidade, para acabar com os infectados que andam por lá, ao ouvir aquilo ele se sentiu abalado mas não desistiu, e continuou se rastejando, ao sair do esgoto ele se depara com um grande muro que marcava o perímetro da cidade, que ele havia acabado de sair, ele continuou a caminhar, até ver um galpão velho.
Ele ouviu um barulho vindo de dentro e olhou pela janela, e acabou se deparando com vários infectados que estavam devorando soldados mortos, e alguns que ainda estavam vivos se contorcendo em agonia no chão, ao ver aqui ele correu assustado, mais acabou tropeçando e caindo no chão esse processo fez ele quebrar sua perna mais ele teve que segurar seu grito de agonia, pode apenas fazer um curativo improvisado usando faixas e gravetos, ele consegue se levantar e continua caminhando após 1 dia ,ele Chegou à floresta , exausto e machucado. A área da Flores Nox era perigosa. Ele procurou incansavelmente por um hora inteira, a cada segundo, sentindo o peso do tempo em seus ombros. Finalmente, ele a encontrou: uma única orquídea negra, brilhando suavemente na escuridão úmida da floresta. Ele acolheu com mãos trêmulas e iniciou o caminho de volta.
A volta foi mais lenta por causa de sua perna quebrada, impulsionada pelo desespero. Ele usou cada atalho para chegar em casa em tempo recorde. Ele quebrou um rádio abandonado para verificar a hora. Faltavam poucas horas para o ponto crítico. Ele ignorou seus ferimentos e a exaustão. rastejou-se novamente pelo esgoto, se viu lentamente os apartamentos e correu para o seu andar.
Chegou ao apartamento 2 dias e 20 horas após sua partida, com apenas uma hora até a cidade ser bombardeada.
Ele arrombou a porta da frente. "Sofia! Eu consegui!" ele gritou, segurando a flor delicadamente em um pote com um pouco de água.
O silêncio que se seguiu foi arrepiante. A sala estava escura. Ele acendeu sua lanterna. A cadeira onde Sofia estava estava vazia. Havia sinais de destruição. Ele iluminou um buraco no forro de madeira do chão. Era grande o suficiente para algo ter escapado.
Miguel caiu de joelhos, a flor escura caiu de suas mãos. Ele não tinha chegado a tempo. A fase final havia ocorrido. A Sofia que ele conhecia se fora, e em seu lugar havia emergido algo diferente, uma criatura que agora vagava pela cidade.
Ele ficou lá, imóvel. A Flor da Meia-Noite, a única esperança de cura, estava murchando lentamente no chão sujo do apartamento. Ele se levantou, não havia sobrado mais tempo ele foi para o telhado do prédio, enquanto ouvia as sirenes da cidade tocando, sentou-se na beira do prédio, com sua perna machucada escorrendo um espesso sangue, olhando para o Horizonte, onde ao longe via os aviões militares trazendo as bombas, ele podia apenas fechar os olhos e esperar que um dia pudesse se encontrar com sua irmã.
AUTORES:
Samuel Henrique.
Olá, meu nome é Samuel Henrique dos Reis Santos, nasci no dia 16 de dezembro de 2010,em uma cidade no Maranhão, me mudei para o Pará muito novo, e logo após voltei para o Maranhão. Desde pequeno me considero criativo e curioso, sempre procurando algo para criar. Gosto de ouvir música e vim para Lucas em 2019,e em 2024 fiz a melhor escolha de todas entrar no clube de desbravadores,(guardiões do Rio verde) demorei um tempo para me acostumar mais está sendo uma experiência incrível, estou aqui até hoje em dia. Passei por muita coisa, mas agradeço pelo que eu tenho hoje em dia.
Bianca Werlang
Nasci no dia 10 de setembro de 2010 na cidade de Alta Floresta - MT. Sou uma pessoa curiosa e gosto muito de aprender coisas novas. Quando pequena, sempre gostei de brincar com terra e plantinhas. Assim que cresci, descobri o meu amor e fascínio pela natureza. Hoje, me esforço para cursar biomedicina para que, um dia, possa me tornar perita criminal.
(Relato da pesquisadora Isadora Mackeny)
CAPÍTULO 1 — O Chamado das Estrelas
Eu sempre tive a sensação de que o universo escondia mais do que mostrava. Desde pequena, o silêncio das madrugadas me atraía, como se cada estrela piscasse um código secreto que eu precisava decifrar. Enquanto outras crianças temiam a escuridão, eu a procurava — com um telescópio amador e cadernos rabiscados de curiosidade.
Já adulta, certa noite, enquanto revisava antigas leituras astronômicas, encontrei registros de um ponto luminoso que não constava em nenhum catálogo.
Um planeta pequeno. Afastado. Quase invisível.
Mas havia algo… diferente.
Ele parecia me observar.
Senti um arrepio e, sem hesitar, chamei-o de Mackeny, nome que, sem entender o porquê, parecia certo. Era íntimo. Natural. Como nomear algo que já era meu.
Naquela noite, meu mundo mudou.
Estudei Mackeny sem descanso, reunindo dados, cálculos e gráficos estranhos. O planeta mostrava sinais incomuns: pulsos de energia, pequenas anomalias gravitacionais, padrões que pareciam… respostas.
Quanto mais eu estudava, mais eu sentia que ele estava vivo.
E mais ainda: que ele esperava por mim.
CAPÍTULO 2 — Carstens e o Segredo
Foi durante essa fase de obsessão que conheci Carstens, um colega quieto da aula de ciências. Ele sempre ficava no fundo da sala, escondido atrás de livros gastos. Poucos sabiam o som da sua voz inclusive eu.
Até o dia em que ele se aproximou, segurando seu caderno com tanta força que seus dedos ficaram brancos.
— Isadora… será que você pode me ajudar a estudar os planetas?
Hesitei. Meu trabalho com Mackeny exigia sigilo. Eu preferia a solidão, o controle total das minhas descobertas.
— Eu… vou pensar — respondi.
Mas naquela noite, enquanto meus olhos percorriam os padrões luminosos de Mackeny, a pergunta dele ecoou na minha mente. Ele tinha os olhos de quem busca respostas, como eu. E talvez… talvez dividir esse caminho não fosse tão ruim.
No dia seguinte, chamei-o de lado.
— Eu vou te ajudar. Mas tem uma condição: você não pode contar para ninguém sobre o planeta que vamos estudar.
Ele arregalou os olhos, surpreso, mas firme.
— Eu prometo. Não vou contar a ninguém.
A partir dali, nosso destino foi selado.
CAPÍTULO 3 — Entre Fórmulas e Sentimentos
Começamos a estudar juntos, timidamente no começo, depois com uma intensidade que consumia nossos dias. Ele anotava tudo, fazia perguntas, corrigia meus cálculos, trazia ideias novas. Era brilhante, mais brilhante do que ele acreditava ser.
E assim, sem perceber, fomos nos aproximando.
Certa noite, depois de horas analisando gráficos de energia do planeta, nossos dedos se tocaram ao mesmo tempo que anotávamos a mesma coisa. Foi rápido, quase imperceptível. Mas suficiente para acender algo dentro de mim.
Nossa parceria se transformou em amizade.
E a amizade, em algo mais profundo.
Dividíamos tudo: teorias, risadas, cansaço, sonhos.
E Mackeny, sempre Mackeny, era o centro de tudo.
Foi durante uma dessas longas noites que fizemos a descoberta que mudaria tudo: era possível viajar até o planeta.
Não era ficção.
Não era loucura.
Era ciência e arriscada.
Mas para isso, precisaríamos de uma máquina especial: a Guardian.
Um projeto antigo, quase lendário, capaz de transportar matéria através do espaço. Um portal físico. Uma ruptura entre mundos.
CAPÍTULO 4 — Construção da Guardian
A construção exigiu tudo que tínhamos e o que não tínhamos também.
Dormimos em laboratórios, estudamos manuais abandonados, procuramos peças raras. A colagem de energia era instável, e os cálculos precisavam ser absolutamente perfeitos.
Falhamos inúmeras vezes.
A Guardian simplesmente não ligava. Era como se zombassem de nós, piscando suas luzes vermelhas no escuro do laboratório.
Até que, exaustos, descobrimos o problema: a placa Plankton estava queimada. Uma peça pequena, mas vital. O coração da máquina.
Carstens a consertou com as mãos tremendo de esperança.
Eu verifiquei os cálculos de coordenadas mais de trinta vezes.
E então, apertamos o botão.
A Guardian despertou.
Luzes azuis subiram pela estrutura, o ar vibrou e um portal circular se abriu diante de nós. Era como olhar para um oceano dobrado, uma membrana líquida pulsando luz.
— É agora — disse ele.
E atravessamos.
CAPÍTULO 5 — O Primeiro Contato com Mackeny
O impacto não foi físico, mas emocional.
O ar tinha cheiro de fruta amarga.
O solo era áspero.
A luz era… alienígena.
Acima de nós, o céu cintilava num lilás vivo, com movimentos lentos, como se estivesse respirando. A grama amarela rangia sob nossos pés, emitindo um brilho fraco quando tocada.
As guerras, tortas e secas, pareciam fossilizadas em pé.
E os animais…
Azuis.
De olhos grandes, inteligentes, atentos.
Eles nos observavam com curiosidade. Quando tentaram se comunicar, suas vozes eram melodias, ecos, notas que vibravam no peito, mas que não faziam sentido algum.
Porém, nada absolutamente nada era tão impressionante quanto a árvore no centro do planeta.
Alta.
Viva.
Brilhante.
Flores cristalinas.
Frutos pulsantes, como pequenos corações luminosos.
De dia, era maravilhosa.
Mas ao anoitecer, sua luz mudava para um brilho ameaçador, e eu sentia como se algo despertasse dentro dela… algo hostil.
Montamos nossa barraca, tentando ignorar o frio crescente que parecia vir do solo.
Foi quando notei algo curioso: uma pequena casinha perto da árvore.
CAPÍTULO 6 — O Guardião Solitário
Fui até lá, com Carstens ao meu lado. E, para nossa surpresa, havia vida humana.
Um senhor idoso, magro, cabelos longos e brancos, segurava uma caneca de chá. Ao redor dele, cães azuis nos observavam com olhos profundos.
Ele não parecia assustado, parecia emocionado.
— Entrem… entrem. Faz tanto tempo que não vejo ninguém — disse, abrindo a porta.
O interior era simples, mas cheio de objetos estranhos: mapas, desenhos do planeta, diários empilhados, ferramentas improvisadas.
Sentamos à mesa. O chá era quente, doce e… azul.
Então fiz a pergunta inevitável:
— Há quanto tempo o senhor está neste planeta? E como o descobriu?
O homem — Hit — olhou para o chá, como se buscasse coragem no vapor.
— Estou em Mackeny desde 1959 — respondeu, com um suspiro quebrado. — Descobri este planeta quando tinha dezesseis anos… e desde então, nunca mais consegui sair.
Meu coração apertou.
Carstens arregalou os olhos.
Hit continuou:
— É uma história longa. Uma história triste. Uma história que me afeta mais do que posso dizer.
Então ele ergueu o olhar, firme, pesado.
— Vocês não deveriam ter vindo aqui.
E naquele instante, percebi que a verdadeira história de Mackeny não tinha começado na nossa chegada.
Ela existia há muito tempo.
Escondida.
Silenciosa.
À espera.
De nós?
De alguém?
Ou de algo pior?
SOBRE OS AUTORES:
ANA CRISTYNA Nerys da Silva
Nascida em 2011 na cidade de Tucuruí (PA), mudou-se em 2015 para Goiânia, onde viveu por um ano. Depois seguiu para Lucas do Rio Verde (MT), local onde reside atualmente. Chegou à cidade em 2019, permaneceu por um ano e, em seguida, retornou para Tucuruí, onde ficou por cinco anos. Em fevereiro de 2025 voltou novamente para Lucas do Rio Verde. Tem dois irmãos e é a filha do meio. Atualmente está concluindo o 9º ano do Ensino Fundamental na Escola Municipal Olavo Bilac.
Rosy Hellen Pereira da Costa
Nascida em 2011 na cidade de São Luís do Maranhão, mudou-se para Lucas do Rio Verde (MT) em 2018, onde mora até hoje. Tem um irmão e é a caçula da família. Encontra-se concluindo o 9º ano do Ensino Fundamental na Escola Municipal Olavo Bilac.
Raysa da Silva Sena
Nascida em 2010 na cidade de Goiana, estudou na Escola Estadual Caminho para o Futuro. Tem cinco irmãos e é filha de Maria Mendes da Silva Sena e Elinaldo. Também está finalizando o 9º ano do Ensino Fundamental.
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